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Páginas Roubadas


Páginas Roubadas - Estas páginas, embora o título, de alcance metafórico, não são roubadas. Transmudam-se em oferendas de amor, sobretudo amor, passam pela gama enorme dos sentimentos humanos, e não fogem da solidão referida. Por trás desta aparente simplicidade poética, tão própria dos bons poetas, borbulha um universo de verdades sentidas e eternas. Este poeta continua, como antes, um poeta amante. Do Amor à Dor, sentimentos que sabe externar tão bem através da magia poética.” (Caio Porfírio Carneiro)

Do Amor à Dor
Este poeta é o mesmo de Amando, seu livro anterior, e é outro neste Páginas Roubadas. É o mesmo porque todo artista, da arte escrita ou não, é dono e senhor de uma linha e pendor muito pessoais, que lhe definem a personalidade criadora; e é outro porque, neste autor e neste livro, ele amplia a busca temática e formal e, sobretudo, amplia as empatias diante do amor e da benquerença e os questionamentos diante dos desencontros sociais. Continua aquela “impressão pronta e imediata de trepidância e impulsos velozes”, tão viva em Amando, mas aqui este estado d’alma caminha em águas mais calmas, porque avulta – e é outra marca do autor – a permanente sombra da solidão. Não a solidão que se anula em si mesma, mas a outra, a tangencial e presente que dá ao poeta uma cosmovisão muito ampla de si e da vida, e que é centro catalisador e força centrípeta para extravasar todo esse oceano amoroso e dorido que lhe nasce do coração.

Logo no primeiro bloco de poemas que abre o livro – “Do Amor” – apela criticamente na primeira estrofe do primeiro poema:

Quero gente alegre.
Daquelas que fingem
Estar tudo bem.

É um chamamento especialíssimo que norteia bastante o seu caminhar poético, mas nunca é a perplexidade imponderável. Tal prova é que, logo no poema seguinte, vem o contraponto: Nada admito perder. / Se vem a tristeza, / rio dela sem dó. Neste sortilégio de aparentes dúvidas espiritualizam-se, corporificam-se e vivem o Amor e Mulher. Um fluxo continuo de amor na amplitude total, do lírico ao erótico, do romântico ao quase desesperante.

Nem sempre o poeta é contido. Espraia-se em poemas longos, sem exaltações perigosas, em solfejo livre, tão belamente cantado em “O Beijo Pelo Poetinha”.

“Da Dor”, bloco seguinte, reúne poemas onde a saudade, a sentida dor e a solidão se avultam. Mas o poeta ainda é o mesmo porque, para além da abordagem temática, o sopro – quase vendável – segue o mesmo diapasão. Amostra viva neste poema belíssimo – “O Muro” -, para só citar um.

Em “Da Amizade” e “Da Infância à Adolescência” o andamento é de ternura e particular benquerença. E se vê, palpitando, que a ressonância de balada é uma constante. Os temas pedem isto e o poeta, por intuição, queremos crer, deixa-se conduzir, pela mão, por essa leveza benfazeja, com passagens surpreendentes que se aproximam do haicai:

Um raio de sol
E um pingo de chuva,
Feitos sopro de vida,
Numa semente germinada.

Temos ainda os segmentos “Do Civismo”, “Da Alegria” e “De um Pedaço de Alma”. Em cada um deles, e no seu conjunto, o autor alcança aquele voleio mágico e desnorteante em torno da denúncia, da tristeza, da alegria, do retrato de família...Fagulhas da vida observada e vivida pelo próprio autor.

O curioso, no melhor sentido, é que tudo vai, do começo ao fim do livro, numa “roda-gigante” o seu tanto alegórico; o notável é este ressoar poético lírico, amorável e denunciante, treliçado ao longo dos caminhos percorridos e vividos pelo poeta ou captados pela sua aguçada sensibilidade.

Estas páginas, embora o título, de alcance metafórico, não são roubadas. Transmudam-se em oferendas de amor, sobretudo amor, passam pela gama enorme dos sentimentos humanos, e não fogem da solidão referida. Por trás desta aparente simplicidade poética, tão própria dos bons poetas, borbulha um universo de verdades sentidas e eternas.

Este poeta continua, como antes, um poeta amante. Do Amor à Dor, sentimentos que sabe externar tão bem através da magia poética.”

 

Caio Porfírio Carneiro
Secretário Administrativo da
União Brasileira de Escritores (UBE)


Quarta capa

Renascer é se deparar,
depois de uma curva qualquer,
com uma reta em direção a um horizonte
descortinando aventura e felicidade.

É ter certeza ainda de que,
na essência, seu amor
por mim será eterno
e bem maior e mais bonito
do que o que se descobriu
naquele horizonte despois da curva
de nossos sentimentos.

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